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A infeção do trato urinário é uma das doenças infeciosas mais frequentes em Portugal e no mundo. Afeta sobretudo mulheres, e muitas delas conhecem bem a sensação: aquela urgência de ir à casa de banho de cinco em cinco minutos, o ardor ao urinar, o desconforto que não passa.
A infeção do trato urinário (ITU) é uma infeção causada por bactérias que colonizam e se multiplicam no aparelho urinário. Consoante a localização, fala-se em cistite (infeção da bexiga, a mais comum), pielonefrite (infeção dos rins, mais grave) e uretrite (infeção da uretra). Em Portugal, a infeção urinária é a segunda doença infeciosa mais frequente na comunidade, a seguir às infeções respiratórias (Rocha et al., 2014). A bactéria responsável pela grande maioria dos casos é a Escherichia coli, correspondendo à maioria dos casos de ITU na comunidade (Curto et al., 2019).
A anatomia feminina é o principal fator. A uretra das mulheres tem apenas 3 a 4 cm de comprimento e está muito próxima do ânus e da vagina, o que facilita a entrada de bactérias na bexiga. Cerca de 40% das mulheres terão pelo menos uma infeção urinária ao longo da vida, e 20 a 30% têm infeções recorrentes (Bonkat et al., 2024). Outros fatores de risco incluem atividade sexual, menopausa, gravidez, diabetes, anomalias estruturais do trato urinário e histórico de ITU prévia.
A cistite não complicada não costuma causar febre. A presença de febre sugere que a infeção subiu até aos rins.
Se tiver febre acima de 38,5ºC, dores lombares intensas, vómitos ou se for grávida, a avaliação deve ser presencial e urgente. A pielonefrite pode evoluir para sépsis se não for tratada atempadamente.
Na mulher com sintomas típicos de cistite não complicada, o diagnóstico é essencialmente clínico. A presença simultânea de disúria e polaquiúria sem corrimento vaginal tem um valor preditivo positivo superior a 90% para ITU (Bonkat et al., 2024). A urocultura é obrigatória nas grávidas, em caso de pielonefrite, ITU no homem, infeções recorrentes ou falência do tratamento.
As fluoroquinolonas e a amoxicilina com ácido clavulânico devem ser evitadas em primeira linha pelo aumento de resistências em Portugal (Curto et al., 2019; Bonkat et al., 2024).
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