Infeções

Dor de Garganta e Amigdalite: Quando Tomar Antibiótico

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A dor de garganta é um dos motivos de consulta mais frequentes nos cuidados de saúde primários e nas urgências em Portugal. Na maioria das vezes, a causa é viral e resolve sozinha em poucos dias, sem necessidade de antibiótico. Mas há situações em que a infeção é bacteriana, e aí o antibiótico correto, prescrito a tempo, previne complicações que podem ser sérias.

Amigdalite viral ou bacteriana?

A grande maioria das faringoamigdalites agudas é de origem viral. Em adultos, a etiologia viral representa cerca de 90% dos casos. A causa bacteriana mais importante é o Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A), a única que justifica antibiótico de forma rotineira.

Sinais que sugerem causa viral

Sinais que sugerem causa bacteriana

Critérios de Centor-McIsaac

A escala de Centor, adaptada por McIsaac, é a ferramenta de predição clínica mais utilizada para estimar a probabilidade de amigdalite estreptocócica. Cada critério presente vale um ponto: febre superior a 38ºC, ausência de tosse, exsudado amigdalino, gânglios cervicais anteriores dolorosos, e idade entre 3 e 14 anos.

Quando é necessário antibiótico?

O antibiótico está indicado quando existe forte suspeita ou confirmação de causa estreptocócica: TDR positivo, pontuação de Centor-McIsaac elevada com quadro clínico sugestivo, ou ausência de melhoria após 48 a 72 horas com tratamento sintomático.

O antibiótico de primeira linha recomendado pela DGS é a amoxicilina 500 mg três vezes por dia durante 10 dias. Em caso de alergia às penicilinas, a azitromicina durante 5 dias é a alternativa mais utilizada.

⚠️ Amoxicilina com ácido clavulânico não é indicada

A amoxicilina com ácido clavulânico não é o antibiótico de escolha para a amigdalite estreptocócica. O estreptococo do grupo A é sensível à amoxicilina simples e o ácido clavulânico é desnecessário.

Sinais de alarme: quando ir às urgências

Alguns sinais indicam complicações que exigem avaliação presencial urgente:

Posso fazer a consulta de garganta por videoconsulta?

Sim, na grande maioria dos casos em adultos. Por videoconsulta, o médico avalia os critérios de Centor-McIsaac, pode observar a garganta em câmara, orientar para TDR se necessário e prescrever o tratamento adequado. Não é adequada quando existem sinais de abcesso periamigdalino ou dificuldade em engolir líquidos.

Referências Bibliográficas

  1. Centor, R. M., et al. (1981). The diagnosis of strep throat in adults in the emergency room. Medical Decision Making, 1(3), 239-246.
  2. McIsaac, W. J., et al. (1998). A clinical score to reduce unnecessary antibiotic use in patients with sore throat. CMAJ, 158(1), 75-83.
  3. Direção-Geral da Saúde. (2012, atualizada 2022). Norma n.º 007/2012. DGS. https://www.dgs.pt
  4. BMJ Best Practice. (2024). Amigdalite: resumo, diagnóstico e tratamento. https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/598

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